A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, aprovou na última quarta-feira (28) novas regras para a exploração da cannabis medicinal no Brasil. A decisão amplia o acesso de pacientes a medicamentos à base de canabinóides, especialmente o canabidiol, mediante prescrição médica.
A resolução autoriza a venda do fitofármaco canabidiol em farmácias de manipulação e atende a uma determinação do Superior Tribunal de Justiça, que estabeleceu prazo até 31 de março para a definição das regras. As novas normas entram em vigor após seis meses da publicação.
Com a mudança, pacientes com doenças debilitantes passam a ter acesso a tratamentos com maior concentração de canabinóides. Desde 2015, a Anvisa já autoriza a importação de medicamentos à base de cannabis e fiscaliza produtos comercializados por associações e farmacêuticas do setor.
Em entrevista o médico Tadeu Barros Pereira para esclarecer à população o que muda com a decisão e explicar o uso da cannabis medicinal. Segundo ele, a diferença entre a maconha utilizada como droga e a cannabis medicinal está na forma de uso, já que o método terapêutico é feito por meio da extração do óleo da flor da planta, sem combustão.
O médico explicou que o canabidiol atua regulando processos como inflamação, dor, ansiedade e sono, por imitar um sistema natural do corpo humano, o sistema endocanabinoide. Ele destaca que o CBD não provoca efeitos alucinógenos e que o uso medicinal é seguro quando prescrito e acompanhado por profissional habilitado.
O tratamento tem apresentado benefícios em casos de Alzheimer, Parkinson, transtorno do espectro autista, dores crônicas, inflamações persistentes, ansiedade e insônia, além de auxiliar pacientes com sequelas de cirurgias e traumas. O médico também ressalta que a cannabis medicinal não tem relação com a liberação do uso recreativo da droga.
Fonte: Rádio Uirapuru