Governo federal dos EUA executa 8º preso durante gestão Trump
21 novembro 2020 - 14h15
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O governo dos Estados Unidos executou o preso condenado Orlando Hall com uma injeção letal nesta quinta-feira, 19, no estado da Indiana. Hall foi condenado à morte pelo estupro seguido de assassinato de uma menina de 16 anos em 1994.

Essa foi a oitava execução federal sob o governo de Donald Trump, que retomou as penas em julho de 2020. Até então, o país estava há 17 anos sem executar presos federais no corredor da morte.

Hall, aos 49 anos, foi declarado morto depois que funcionários do Departamento de Prisões Federais dos EUA administraram uma dose letal de barbitúrico pentobarbital em uma câmara de execução em Terre Haute, no estado de Indiana.

Orlando Hall foi condenado por seu papel em um crime cometido em 1994: o sequestro, estupro e assassinato da irmã de 16 anos de dois traficantes de drogas que Hall suspeitava terem roubado dinheiro dele.

Ele e três outros homens sequestraram Lisa Rene em seu apartamento no Texas e a levaram para um quarto de motel em Arkansas, onde a amarraram, estupraram e espancaram com uma pá antes que ela fosse enterrada viva.

Uma irmã da vítima, Pearl Rene, emitiu declaração após a execução de Hall expressando “alívio da família” por chegar “ao fim de um capítulo muito longo e doloroso em nossas vidas”.

“A execução de Orlando Hall nunca vai parar o sofrimento que continuamos a aguentar”, escreveu ela. “Por favor, ore por nossa família, assim como pela dele.”

O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, encerrou um hiato de 17 anos nas execuções federais em julho, após anunciar no ano passado que o Departamento de Prisões mudou o modelo de injeções letais para passar a utilizar uma única droga, alterando o formato anterior que usava uma combinação de três drogas.

Antes das execuções serem retomadas em 2020, elas haviam sido usadas pela última vez federalmente em 2003. Nesse período, diversos estados aplicaram a pena de morte seguindo as leis locais, mas não o governo do país.

Hall foi condenado à morte logo depois que a Suprema Corte dos EUA negou uma petição de 11 horas para uma suspensão da pena, rejeitando uma ordem de um tribunal inferior que havia bloqueado brevemente a execução com base no fato de que os protocolos de administração de pentobarbital de sódio sem receita violavam a lei.

Os advogados de Hall também buscaram suspender a execução em dois outros casos, também rejeitados pelo tribunal superior.

Em um deles, eles argumentaram que seus advogados precisavam de mais tempo para preparar uma petição de clemência, mas foram impedidos pela pandemia de Covid-19.

Em um terceiro pedido, eles alegaram que a discriminação racial desempenhou um papel no julgamento de Hall, que é afro-americano e foi julgado por um tribunal inteiramente branco.

De acordo com uma análise estatística citada pelos advogados, a pena de morte federal no Texas entre 1988 e 2010 foi “desproporcionalmente aplicada com base na raça”.

O Fundo de Defesa Legal e Educacional da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), que entrou com uma petição amicus em nome de Hall, argumentou que havia evidências de que os promotores em seu caso haviam atacado indevidamente indivíduos negros do júri com base em motivações raciais.

A execução de Hall ocorre enquanto os Estados Unidos debatem fortemente questões ligadas a justiça racial no país, sobretudo após a morte de George Floyd.

Das 56 pessoas no corredor da morte federal, 26 deles, ou 46%, são negros, e 22, ou 39%, são brancos. Os negros representam apenas 13% da população dos EUA.

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