Centauro compra a Nike no Brasil e terá distribuição exclusiva da marca
06 fevereiro 2020 - 13h02
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Negócio custará à varejista 900 milhões de reais

O Grupo SBF, dono da varejista Centauro, comprou a operação brasileira da Nike no Brasil. Com isso, a empresa torna-se distribuidora exclusiva dos produtos Nike no varejo online e físico no país por um período de dez anos.

O negócio custará à Centauro 900 milhões de reais. O valor está sujeito a ajuste, conforme a empresa informou em fato relevante divulgado ao mercado. A compra inclui quotas de capital social da Nike e capital de giro (incluindo o estoque e lojas), mas não direitos de propriedade intelectual.

Agora, o Grupo SBF atuará como uma holding, com a Centauro e a Nike do Brasil como unidades de negócios separadas. Pedro Zemel, presidente da Centauro, assume como presidente da holding.

A empresa afirmou em comunicado que é uma parceira de longa data da Nike. A marca americana, especializada em artigos esportivos, tem 24 lojas no Brasil e 15 lojas de parceiros. “Nos últimos anos, fizemos uma série de investimentos em diversas frentes e, principalmente, em tecnologia e multicanalidade, o que nos possibilitou avançar expressivamente no nosso setor e nos transformar em uma plataforma do esporte. Estamos muito entusiasmados com a oportunidade de servir ainda mais a comunidade esportiva por meio de uma marca tão poderosa. Seguimos comprometidos com a missão de aprimorar o ecossistema do esporte no nosso país através de diferentes caminhos e modelos de negócios”, disse Zemel em comunicado.

Com a notícia, as ações do Grupo chegavam a subir quase 12% na bolsa por volta das 11h30. Ao meio-dia, a alta era de 11%.

O que a Centauro tem a ganhar
A compra é vista como uma parceria estratégia por especialistas em varejo. “A Centauro será fornecedora de todo mundo que quiser comprar Nike, que é a marca predileta dos brasileiros. E ainda vai ter o privilégio de fazer lançamentos de produtos e categorias na plataforma deles. É uma grande sacada”, afirma a consultora Ana Paula Tozzi. Com a compra, a Nike do Brasil passa a ter, através da Centauro, maior controle sobre os dados de seus clientes, ponto cada vez mais importantes para as marcas no varejo.

O movimento não é isolado. Recentemente, a marca de calçados Arezzo comprou a operação da Vans no Brasil por 50 milhões de reais. Uma das vantagens desse tipo de acordo é a transferência da operação de uma marca global para um player local, melhorando a proximidade dessa operação com o cliente brasileiro. Esse é um dos principais pontos de alerta para as marcas concorrentes da Nike, na visão de Mauro Nomura, master franqueado da Adidas no Brasil. “A gestão da Nike no Brasil ficará mais ágil e a marca deve ganhar valor, esse deve ser o principal impacto para as concorrentes”, diz.

A Centauro vinha de uma novela que marcou o ano de 2019 no varejo, quando a varejista disputou (e perdeu) a compra da concorrente Netshoes com o Magazine Luiza. A Netshoes, que quase quebrou após sucessivos prejuízos, terminou vendida ao Magalu por 115 milhões de dólares. A Centauro chegou a fazer uma oferta maior, de 127 milhões de dólares, mas a proposta foi rejeitada — à época, EXAME apurou que havia uma resistência do fundador da Netshoes, Marcio Kumruian, em vender sua empresa para a principal concorrente.

Desde então, a Centauro vem fazendo a lição de casa para mostrar que é capaz de vencer no varejo mesmo sem a Netshoes. Uma das principais movimentações veio em outubro, quando a empresa anunciou parceria com a B2W (dona de Submarino, Americanas.com e Shoptime) para vender seus produtos no site da Americanas.com, mas com logística e plataforma próprias — o que a empresa chamou de um “marketplace diferenciado”. No dia do anúncio, as ações da Centauro chegaram a subir 5%, com os analistas animados pela exposição na vitrine online da Americanas.

A Centauro também vem sendo elogiada por um bom trabalho no multicanal, com boa integração entre lojas físicas e comércio eletrônico. Tudo isso fez os investidores continuarem apostando na empresa, cujas ações subiram mais de 250% desde que a empresa abriu capital na bolsa, em abril: a ação estreou a 12,20 reais na ocasião e agora, pouco mais de oito meses depois, fechou o pregão desta quarta-feira 5 a 43,40 reais.

Fonte: G1

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