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RS entra em nova onda da covid-19, com menor repercussão em casos graves
16 maio 2022 - 11h09
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Após flexibilizar o uso de máscaras em ambientes fechados e atingir 50% da população com dose de reforço, o Rio Grande do Sul segue tendência mundial e adentra uma segunda onda de casos da covid-19 pela variante Ômicron, mostram estatísticas do Ministério da Saúde analisadas por GZH nesta sexta-feira (13).

O aumento de infecções iniciou no fim de abril e se consolida em maio. Por enquanto, a maior transmissão trouxe aumento tímido nas internações em leitos clínicos, destinados a casos de menor gravidade. Ainda não há repercussão em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e em mortes — ambos os indicadores levam de três a quatro semanas para mudar após nova tendência em casos.

Em média, 2,9 mil gaúchos oficialmente se contaminaram diariamente na última semana, 44% acima do registrado há duas semanas — há de se levar em conta que os números reais podem ser maiores, em meio à possibilidade de autoteste em casa. O número ainda é distante do ápice de contaminação da onda de Ômicron, quando, no fim de janeiro, mais de 17 mil pessoas se infectavam diariamente.

A ocupação de leitos clínicos também começou a crescer no fim de abril - nesta sexta-feira, havia 279 pacientes com coronavírus internados, crescimento de 21% frente a duas semanas atrás. Em março do ano passado, eram 5,3 mil.

Nas UTIs, há estabilidade: 79 pacientes, igual ao registrado há 14 dias e patamar distante do pior momento da pandemia, quando mais de 2,6 mil gaúchos estavam hospitalizados em estado gravíssimo. O número de mortes também está estável, com média de sete vítimas diárias na última semana.

Uma segunda onda de covid-19 gerada pela variante Ômicron ocorreu em diversos países que desobrigaram o uso de máscaras em ambientes fechados — no geral, houve aumento em hospitalizações e mortes, mas menor do que na primeira onda da variante, com a exceção da Alemanha, mostram estatísticas do Our World in Data. Especialistas dizem que não há como saber, ainda, para qual caminho o Brasil irá.

— Temos aumento de casos bem substancial. O que está acontecendo é o que aconteceu em todos os países que retiraram máscaras em locais fechados: os casos aumentam, já que a variante é altamente transmissível. Devemos ter algum aumento em UTIs e óbitos, mas não tão pronunciado. Não temos como saber como será por aqui: na Alemanha, o segundo pico da Ômicron foi maior do que o primeiro, mas em outros, não — diz Alexandre Zavascki, chefe da Infectologia do Hospital Moinhos de Vento e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A nível nacional, o Brasil voltou, nesta semana, a ter uma média diária de mais de 100 mortes por coronavírus. Seis Estados demonstram tendência de piora da epidemia: Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas.

A nível internacional, a autoridade sanitária da União Europeia, o ECDC, elevou nesta sexta-feira as subvariantes da Ômicron BA.4 e BA. 5 à classificação de "variantes de preocupação" — o que as coloca ao lado da Ômicron, Delta e Gama. É a primeira autoridade sanitária mundial a fazer isso, o que sugere o potencial das cepas de reinfectar quem já teve coronavírus.

O aumento do número de casos no Rio Grande do Sul ocorre, felizmente, em cenário de alta vacinação: metade da população tem três doses e quase 80%, duas. Mas analistas destacam que a cobertura precisa avançar mais (40% dos gaúchos ainda precisa tomar o reforço) e rogam que a população busque postos de saúde para se vacinar — e, assim, reduzir ao mínimo o risco de mortes, sobretudo entre idosos. Como a imunidade gerada por infecção pela Ômicron dura pouco, há chance de a nova onda causar aumento de hospitalizações e mortes, avalia Zavascki.

— A pessoa pode raciocinar apenas para ela: pensar que, estando vacinada, pegará covid e que será parecido com uma gripe. Mas, em saúde pública, é preciso pensar que teremos muitas pessoas adoecendo ao mesmo tempo, e que algumas mais vulneráveis, com fragilidades no sistema imunológico, serão afetadas mais gravemente — acrescenta o infectologista.

A médica epidemiologista Lucia Pellanda, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), destaca que a nova onda pode ser contida se a população voltar a usar máscaras em ambientes fechados, para além de vacinar-se. Ela diz que o momento atual não exige preocupação “no sentido de estresse, mas sim no sentido de ter mais cuidado”.

— Não precisa voltar para casa. Dá para fazer tudo: viajar, encontrar amigos, trabalhar, desde que tenhamos o cuidado de manter máscara no local fechado. Agora, voltar tudo ao normal e tirar a máscara em ambiente fechado em um momento no qual 40% das pessoas precisa tomar terceira dose é pedir para dar errado. Quem tomou três doses e pegou covid fraca, ótimo. Na maior parte dos casos, vai ser uma gripe, mas em alguns casos pode ser covid longa, com repercussão a longo prazo que não conhecemos bem — diz Pellanda.

Adota visão mais otimista o médico Alessandro Pasqualotto, presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI) e chefe da Infectologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, para quem a nova onda de casos não causa grande preocupação.

O médico diz que a alta cobertura vacinal do Estado deve segurar uma piora acentuada, mas pede que a população mantenha o calendário vacinal atualizado com segunda, terceira e quarta dose, se necessário, para reduzir ao mínimo o impacto das infecções em idosos e outros grupos vulneráveis.

— É uma nova onda, mas muito distinta das ondas anteriores por ser pequena. Esse aumento é esperado: tivemos liberação mais intensa do uso de máscaras no último mês e as pessoas passaram a viver o mais próximo do normal. Não estou preocupado com o aumento em si enquanto não houver repercussão em aumento de internações e mortes. Se tivermos um cenário no qual leitos hospitalares voltem a ser ocupados de forma preocupante, precisaremos rever o que temos e voltar a requisitar máscaras em ambientes fechados. Mas não é o que ocorre agora e não acho que isso vá ocorrer. O que precisamos é reforçar a importância da vacinação — diz Pasqualotto.

Quarta dose para adultos?

O médico infectologista Alexandre Zavascki destaca a necessidade da quarta dose para idosos e pessoas com imunossupressão, mas explica que os estudos não demonstraram, até o momento, necessidade de nova dose para adultos saudáveis.

— O que tem saído agora de estudos é que agora, com a distância de tempo que temos da terceira dose, o benefício da quarta dose ainda não está bem demonstrado. Não quer dizer que não precisaremos tomar em algum momento, mas, agora, não há efeito claramente demonstrado para não idosos — diz Zavascki.

Fonte: GZH

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