Psicóloga ibiaçaense realiza trabalho voluntário em Brumadinho
07 fevereiro 2019 - 13h50
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Após 3 anos, outra grande tragédia envolvendo barragens trouxe tristeza à Minas Gerais, dessa vez na cidade de Brumadinho. Dia 25 de janeiro ficará marcado para sempre. Um tsunami de lama devastou casas, matas e sonhos. O número de mortes já chega a 150 e 182 pessoas ainda estão desaparecidas.

O país inteiro chora com Brumadinho e milhares de pessoas prestaram e ainda prestam trabalhos voluntários na região. De acordo com informações mais de 7 mil voluntários de todo o Brasil se cadastraram para ajudar as vítimas de Brumadinho. A psicóloga Patrícia Dalagasperina, natural de Ibiaçá, foi uma delas. Atualmente residindo em Florianópolis, mestre e doutora em psicologia clínica e realizando pós-doutorado em Psicologia na UFSC, viajou para Brumadinho no dia 27 de janeiro.

Entramos em contato com Patrícia e ela contou à Rádio Cristalina um pouco da sua experiência. Leia o relato na íntegra:

A população da pequena cidade de Minas Gerais viu muitos dos seus sonhos, histórias e projetos serem destruídos no último dia 25, após o rompimento da Barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho. A tragédia que contabiliza centenas de vítimas despertou meu desejo de pôr em prática o conhecimento teórico e científico adquirido ao longo da minha formação acadêmica, na qual tenho dado ênfase aos estudos sobre Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Foi por essa razão que com uma mochila nas costas e um grande desejo de ajudar, embarquei para Belo Horizonte no domingo, e cheguei na cidade de Brumadinho na segunda-feira. 29 de janeiro de 2019.

Foram cinco dias intensos de muito trabalho, pouquíssimas horas de sono e muito aprendizado. Nesse período acompanhei famílias que infelizmente receberam a notícia de óbito dos seus entes queridos e também aquelas, que aguardam ansiosas por notícias. O povo de Brumadinho acumula perdas. A lama levou pais, mães, gestantes, filhos, maridos, amigos, vizinhos, casas, empregos, praticamente tudo. A lama levou memórias, histórias e referências, levou a dignidade e a segurança de uma cidade inteira.

Em meio a tanto sofrimento, o trabalho voluntário é transformador. Ele é capaz de arrancar sorrisos e esperança, ele ajuda a manter a fé na humanidade, ele é um gesto capaz de trazer sentido às pessoas, quando elas não acreditam em mais nada e em mais ninguém. O trabalho voluntário acende a esperança, revela o quanto o ser humano é capaz de trabalhar em equipe quando possui um objetivo comum. O trabalho voluntário é como uma flor que nasce em meio ao deserto para provar que há vida em meio a guerra, que há luz em meio trevas. Brumadinho está tomada por onda de solidariedade que fortalece as famílias e emociona a todos.

Ressalto a importância desse tipo de trabalho, que só funciona quando realizado com o coração. Sou grata à Deus pela oportunidade de ajudar muitas pessoas. Todos nós podemos ajudar, independente da distância. A cidade recebeu muitos donativos (alimentos, produtos de limpeza, água, roupas entre outros), por isso, neste momento, não está recebendo nenhum tipo de doação. Mesmo assim, existem maneiras de contribuir, entre elas: não postar fotos de corpos nas redes sociais; não julgar os envolvidos, especialmente os bombeiros; não compartilhar informações sobre as quais as fontes não são confiáveis. Peço para que tenham empatia, respeitem a dor dos familiares, dos funcionários da Vale que perderam seus colegas, de um povo que precisa forças para recomeçar.

Agradeço todas as pessoas que me apoiaram, todos os comentários, as mensagens e as ligações que recebi, eu confesso que não esperava. Tudo isso me deu forças para encarar essa missão desafiadora que se tornou uma linda história na minha vida. Uma experiência que levo para sempre em meu coração. Agora também me sinto um pouco cidadã de Brumadinho.

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